Procura

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem disse que não se produz bom rock de garagem em português? Videos como o abaixo da fantástica banda haxixins mostra a riqueza desse gênero.



As zonas litorâneas sempre foram motivo de inspiração para os jovens destas gerações, alguns livros retratam bem isto. A foto abaixo, retirada da compilação de Richard Barnes mostra uma celebração na manhã após noite de dança em Brighton.


Seus palitós, casacos, suéteres, botas e sapatos significavam uma maneira de buscar sua identidade num mundo onde o trabalho trasnformava as pessoas em amontoados humanos homogeneos encaixotados em escritórios ou qualquer outra forma de despersonalização do individuo. Estar bem arrumado, well-dressed, dizia respeito a isto, um olhar para si mesmo e, também, uma forma de revinventar a juventude em bando.
No Brasil, ser daquela geração significava tudo isto, mas tinha um atenuante. O regime político do país, em pleno governo militar, fazia os jovens desenvolver, além do dito acima, um certo heroísmo, no sentido de olhar para as esquinas e ter a impressão de ver seus colegas mortos ou sendo tragados por algum camburão policial. Aqui a "fumaça do charuto era mais preta", como diria um músico paulistano dessa geração. Esta sensação era vivenciada nas musicas, no engajamento.


A guinada de grande parte dos jovens para a esquerda no país se deu neste período também. A promessa de uma geração que visava o futuro, numa conjuntura estatal problemática, requeria um partido de posição oposta ao governo. É a isto que se deve a representatividade da esquerda (quando há) nos movimentos jovens de hoje em dia, a uma rede de conexões feitas naquele período entre os jovens e sua maneira de experienciar aquele governo traumático. Estes jovens perpetuariam isto em músicas, em ´produções cinematográficas, em livros, virariam professores no futuro e formariam muitas cabeças. As histórias que ficam para nós são de perseguições, torturas, mortes...


Apesar disto, muitas bandas puderam surgir e celebrar sua juventude através das letras, festas, danças e visitas a clubs. Para muitos, o momento político não foi mais do que um pano de fundo que fazia parte do cenário total. Toda época e grupo tem seus vilões e seus mocinhos.




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